domingo, 10 de julho de 2016

Fugindo de shoppings

Quando a Júlia nasceu e eu estava em processo de separação eu ia muito ao shopping, não sei explicar direito o porquê, mas acho que lá me sentia menos íntima dele e mais ligada ao mundo e as pessoas.
Mas o fato é que eu fui percebendo, cada vez com mais nitidez, o quanto esse ambiente deixava a Júlia agitada, e na maioria das vezes que íamos eu acabava por não conseguir controlar a minha falta de paciência, depois de um tempo ainda consegui perceber que não só ela, mas eu também me agitava, com tanta informação visual (né mulheres, rs). 
Então decidi evitar cada vez mais, ir a estes locais, com aglomerações de pessoas com objetivos de consumo, rs. 
Mas qual a diferença? O objetivo das pessoas.
Só para exemplificar, esses dias fui em um local onde esbarrávamos nas pessoas praticamente a cada passo, mas não ouve nem um nível de descontrole emocional nem por por minha parte, nem pela parte da Júlia, e o motivo, penso eu, com convicção, era que as pessoas que estavam ali, procuravam lazer, distração, conhecimento, observação, contemplação, qualquer coisa que não fosse imposta por padrões sociais e nem medida por eles.
Pra quem ficou querendo saber onde estávamos, fomos a romaria de Trindade-GO ver o desfile de carros de bois (e olha que são mais de 300), ficamos de sete da manhã até uma hora da tarde e não vimos todos.


Estava me sentindo parada na vida, acho que era eu, não acho que era a vida.

Estava me sentindo parada na vida, acho que era eu, não acho que era a vida.
Caramba, como me deu vontade de escrever, sei que novamente vou ficar sem tempo, mas a vontade falou mais forte.
Acho que fui levando uns tropeços na vida e me deixei desanimar pelos tombos, fiquei um pouco sem querer encarar essa caminhada maravilhosa que é viver cada passo, mas isso também foi bom, pois tive a oportunidade de vivenciar muitas coisas e conhecer muitos pensamentos.
E nessa reviravolta toda estou eu aqui, separada, gestante novamente e sozinha, ou melhor sem uma parceria mais íntima (rs), pois estar sozinha seria muita melancolia...
Manuelinha vai vir a este mundo em setembro, por isso a resistência ao chamado para voltar a escrever, mas a vontade me dominou e estamos aí, sem compromissos,rs.
Então é isso, estou aqui, fervilhando de desejos, vivencias e projetos, louca para ter uns tempinhos para digitar e futuramente relembrar o que não cabe na minha memória.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Porque dormir uma noite toda não é tão importante

     Decidi de vez mergulhar no universo materno, viver intensamente cada momento. 
     E de tanto vivenciá-la me vi ansiosa por escrever toda esta vivência, talvez para lembrar, talvez para esquecer, talvez para me ajudar ou mesmo ajudar outras pessoas.
     Hoje eu quero falar sobre como dormir uma noite toda não é tão importante assim.
     Júlia está quase completando 2 anos e neste tempo muita coisa aconteceu, eu já fiquei perdida sem saber por onde começar meus cuidados com ela, meus seios já se feriam por amamentá-la e também já sofri junto a ela em suas intermináveis dores (cólicas), já a vi rolar de um lado para o outro até finalmente andar, já ouvi suas primeiras palavras e até já presenciei seus primeiros testes de autonomia (birras), mas tem uma coisa que não me aconteceu até hoje, eu dormir uma noite inteira como antes (rs).
     E o que eu digo sobre isto? Eu não me importo se ela vai conseguir dormir a noite toda hoje, amanhã ou daqui a algum tempo, e olha que eu gostava tanto de dormir que se eu estivesse com fome e com sono e tivesse que escolher eu iria para a cama, rs.
- Então você pirou?
     Não, eu não pirei, eu só penso na falta que vou sentir daquele corpinho junto ao meu, do seu calor, do seu cheirinho e dos seus carinhos e penso nela, aquele serzinho que não viveu nem 5% da sua vida, sozinha e desamparada, chorando solitária, chamando por mim, querendo o meu carinho e o meu colinho, enquanto eu, que decidi ser mãe e consequentemente me privar de certas coisas, penso só em mim.


     Assim, quando ela acorda e dá aquele sorriso pra mim, e antes que a irritabilidade de uma noite mal dormida me atinja eu logo penso, eu sou a mãe mais feliz do mundo por poder viver isto todos os dias. 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Entre o passado e o futuro

 Há dias tenho pensado em começar a escrever um blog sobre meus planos e vivências na maternidade, já pensei em falar sobre a cronologia do desenvolvimento da Júlia, já pensei em falar como tinha sido nosso parto ou sobre meu dia a dia na maternagem, mas a minha falta de conexão com meus pensamentos/sentimentos/vontades não me deixavam colocar este projeto para frente, até que hoje lendo este texto aqui  me encontrei numa situação parecida, a da busca de explicações no passado, coisa que nem sempre é bom de se fazer.
Tem horas que me encontro pensando sobre como fui criada/educada/amada e em como ou quanto isto poderia interferir na minha “vivência criativa/educativa” (jargão novo, rs) com a Júlia.
Exemplificando: Sempre quis deixar a Júlia comer sozinha e prezar pela sua autonomia, mas na maioria das vezes fico agoniada com a sujeira e acabo por interferir neste processo, daí nas minhas reflexões sobre o fato logo penso em como fui educada e claro a culpa sempre cai sobre alguém (eu quase sempre não tenho culpa, rs). Nessas horas minha cabeça dá um nó, pois é um encontro com o meu “eu” REAL e com o meu “eu” do DESEJO, logo penso, ou eu luto contra o que sinto e contra esse passado assombração ou eu me deixo vencer pelo mal (tchãm, tchãm, tchãm).

Acho que a resposta que estou escolhendo HOJE (vai que eu mudo depois...) é lutar, lutar para mudar o que sinto e vivenciar/experimentar outros sentimentos e lutar contra o passado de gata borralheira (mimimimimi) para tirar dele o essencial para mudanças necessárias e possíveis.

Claro que não será fácil desfazer estes monstros do passado, mas vou lembrar sempre que escrevi um post sobre isto (rs) e não posso fazer diferente do que escrevi claro.